Ele não abaixa o pino
Antes porque esquecia, agora porque eu peço. “Deixa assim, eu abaixo”. Essa é uma das coisinhas que me fazem lembrar dele.
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
segunda-feira, 21 de maio de 2007
quarta-feira, 2 de maio de 2007
O morto vai estar lá?
Fui obrigada a fotografar a missa de corpo presente de um ilustre senhor de Itu e só de Itu. Minha primeira pergunta foi “Mas o morto vai estar lá?”, que foi prontamente respondida pelo meu super editor “É missa de CORPO PRESENTE Juliana”. “Ops, foi mal. Eu não sou muito ligada nessa coisa de igreja”, justifiquei.
A tarefa prometia não ser nada agradável, então, antes de chegar a Igreja dei uma passadinha num lugar especializado em milkshakes e comprei um de ovomaltine, “humm, delícia. Mesmo não tendo sabor de ovomaltine”. Acontece.
Entrei na igreja Matriz e encontrei um dos assessores da Prefeitura, muito gente boa esse cara. Fui lá cumprimentá-lo, afinal o Ano Novo já tava chegando. Abri um sorriso e disse “Feliz Natal, tudo de bom....” entre outras coisas. Aí, virei as costas e ia começar a trabalhar quando me dei conta de que o Natal já tinha acontecido há dois dias. Não podia deixar esse mal entendido assim. Voltei pra ele e disse “O Natal já foi né, Feliz Ano Novo! Tudo de bom....” e mais coisinhas que a gente diz. Andei rapidamente pelo meio da entrada principal e fiquei de frente para o caixão, para o Bispo e aquele povo que o acompanha. Queria pegar todo mundo.
Eu queria o Bispo de chapéuzinho, mas ele tirou bem na hora. Pensei “mas que coisa, bota logo o chapéu”. Quando me conformei com a carequinha e apontei a máquina ele se virou pro lado direito (dele). Aliás, ele e todo mundo e eu tive que ficar esperando eles voltarem pro lugar certo. Enquanto isso fiquei estática ali no meio, nem olhei para os lados. Tinha certeza que tava todo mundo olhando pra mim (que pretensiosa!) e não queria cruzar os olhos com a família, os amigos mais chegados. Não deve ser legal alguém tirando foto do seu pai, avô, tio, etc, ali morto né.
Enfim o Bispo e cia ilimitada voltou para o lugar e eu pude tirar minha foto. Na saída olhei pra um dos bancos e lá estava um casal de espanhóis amigos dos meus sogros. Só o marido me reconheceu e eu acenei pra ele sorrindo (que mancada, em missa de corpo presente não se ri!).
Só quando cheguei no jornal foi que lembrei que o falecido era avô de um conhecido meu e que provavelmente ele estava lá. “Puxa, nem fui cumprimentá-lo. Agora já foi”.
Enfim, a foto ficou boa e foi pra capa do jornal. Mas eu espero não ter que fotografar mais gente morta. Só vivos, só vivos.
Escrito dia 02-01-2007
A tarefa prometia não ser nada agradável, então, antes de chegar a Igreja dei uma passadinha num lugar especializado em milkshakes e comprei um de ovomaltine, “humm, delícia. Mesmo não tendo sabor de ovomaltine”. Acontece.
Entrei na igreja Matriz e encontrei um dos assessores da Prefeitura, muito gente boa esse cara. Fui lá cumprimentá-lo, afinal o Ano Novo já tava chegando. Abri um sorriso e disse “Feliz Natal, tudo de bom....” entre outras coisas. Aí, virei as costas e ia começar a trabalhar quando me dei conta de que o Natal já tinha acontecido há dois dias. Não podia deixar esse mal entendido assim. Voltei pra ele e disse “O Natal já foi né, Feliz Ano Novo! Tudo de bom....” e mais coisinhas que a gente diz. Andei rapidamente pelo meio da entrada principal e fiquei de frente para o caixão, para o Bispo e aquele povo que o acompanha. Queria pegar todo mundo.
Eu queria o Bispo de chapéuzinho, mas ele tirou bem na hora. Pensei “mas que coisa, bota logo o chapéu”. Quando me conformei com a carequinha e apontei a máquina ele se virou pro lado direito (dele). Aliás, ele e todo mundo e eu tive que ficar esperando eles voltarem pro lugar certo. Enquanto isso fiquei estática ali no meio, nem olhei para os lados. Tinha certeza que tava todo mundo olhando pra mim (que pretensiosa!) e não queria cruzar os olhos com a família, os amigos mais chegados. Não deve ser legal alguém tirando foto do seu pai, avô, tio, etc, ali morto né.
Enfim o Bispo e cia ilimitada voltou para o lugar e eu pude tirar minha foto. Na saída olhei pra um dos bancos e lá estava um casal de espanhóis amigos dos meus sogros. Só o marido me reconheceu e eu acenei pra ele sorrindo (que mancada, em missa de corpo presente não se ri!).
Só quando cheguei no jornal foi que lembrei que o falecido era avô de um conhecido meu e que provavelmente ele estava lá. “Puxa, nem fui cumprimentá-lo. Agora já foi”.
Enfim, a foto ficou boa e foi pra capa do jornal. Mas eu espero não ter que fotografar mais gente morta. Só vivos, só vivos.
Escrito dia 02-01-2007
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