terça-feira, 26 de maio de 2009

Caixa Eletrônico


Você sabia que para entrar em um Caixa Eletrônico do Banco Itaú é preciso ser cliente? Calma, não vá logo pensando "Claro!". Porque eu precisei fazer um depósito e não sou cliente. Tive que esperar alguém sair para que eu pudesse entrar. Agora, imagina se não tivesse ninguém dentro?
Abaixo-os-passadores-de-cartão-para-entrar-em-Caixa-Eletrônico-do-Itaú!

Para o Junior

Em construção...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Para meus amigos de Lisboa

No começo eles vieram juntos, de alguns meses de convivência. Chegaram entre amor e birra (sem ódio). Ela estava mais para mal educada, do que para raivosa. Ele fazia tudo para chamar a sua atenção, coisa de apaixonado. E eu estava alí no meio, tentando ser amiga dele e tentando fazer com que ela parasse de implicar.
De repente, não mais que de repente, eles se beijaram (eu insisti, mas não achei que ela ia se dobrar). Mais que de repente ainda, descobri que estavam rolando no chão.
Depois disso a gente escondeu por um tempo, ou tentou. Eu devo ter contado pra alguém, porque naquela roda, não dava pra esconder nada por muito tempo.
No meio tempo nós todos brigamos, nos reconciliamos, ouvimos segredos, revelamos segredos, brigamos de novo, nadamos no lago, brincamos de mímica, de verdade ou desafio e tomamos muitas smirnofs ice.
Hoje eles foram emboram, juntos de novo. Para começar uma outra história, com outros amigos, outro cenário, outros sonhos. E eu estou aqui, admitindo que estou morrendo de saudades dos dois. De dizer que ela é uma chata e ele um mala. Mas que eles fazem muita falta.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Para meu amigo de SP

Eu guardo F el Lipe no coração, nos livros, nas músicas, nos poemas, nas fotografias, nos filmes, nas crônicas, no celular, no computador, no blog, nas séries, nas smirnoffs ice, nos cogumelos, nas cores, nos gestos, nas caretas, nos cheiros, nas risadas.

Eu guardo os e-mails de quatro* anos atrás, abarrotados de declarações de amizade eterna, idéias revolucionárias, idéias ingênuas, broncas, papo furado, papos alucinados, papos de tarde sem trabalho, papo de preguiça, papo de fofoca, papo de maldade.

Eu descobri que é extremamente longe 100km, pra quem vivia à uns 5km ou às vezes tinha que percorrer 20km, no máximo. E que a gente desperdiça muito tempo por preguiça. A presença vale por mil e-mails.

Eu descobri que perder contato por falta de tempo é mentira. Sempre há tempo para as pessoas que a gente gosta. Nem que seja pra um e-mail, uma conversinha no msn, uma carta, um postal, um torpedo, uma ligação.

Eu descobri que gosto mais de SP agora.

*Eu encontrei a prova de que somos amigos desde o primeiro ano da faculdade! rsrs. Um e-mail de aniversário que ele mandou em 23/11/2004.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ferreira Gullar





TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

a mesma língua

-1 Puxa, esse garoto me irrita profundamente. Acho que peguei birra dele.
-2 Né..!
-2 As pessoas em geral estão te irritando ultimamente. Relaxa!
-1 Né?
-1 Você ainda é meu amigo.

Dona Maria vai ao shopping

Nem se lembrava mais da última vez. Comer sozinha, olhar vitrines sozinha, fazer caretas sozinha, não dividir comentários. So-zi-nha. A comida veio antes, um gostoso e saudável Big Mac, com batatas fritas e Coca zero. Porque não dá pra fazer nada com o estômago vazio. Na-da. Sentiu saudadezinhas por um momento do garoto que transforma batatas em dentes, mas decidiu focar em si. Fo-ca-da.

Resolveu entrar, muito calma, na loja de departamento. Prometeu nem tocar na bolsa, muito menos na carteira. Experimentou cinco peças e viu que não, elas não ficaram nada parecidas com o que ela imaginou. Pensou que essas coisas acontecem demais com ela. Roupas, acessórios, quilos, tudo fica tão diferente no espelho. Cal-ma. O pensamento foi terrivelmente interrompido por uma mãe gritando Tifâniiii. Anotação mental, nunca chamar outro ser humano de Tifani, ou Tifany, ou Tyffannyy.Mães.

Mais a frente desviou bruscamente (demais na verdade) de um corredor que trazia uma amiga antiga e a mãe. Não podia perder o rumo. O momento era só dela. E também não estava com saco de ficar sorrindo. Sorria!
No novo rumo viu “A loja”, a malvada que a faz comprar muitas peças e usar o crediário. Será que tem coleção nova? Será, será, será? Não tinha, mas mesmo assim ela foi experimentar uma blusinha. Oh! Descobriu que não tinha raspado as axilas, que vergonha. A idéia de alguém ter visto a fez corar. Não, estou de agasalho. Ufa! . A-xi-las. Já na grande porta de vidro, pensou que toda vez que passa por aqueles detectores de ladras (ões) fica esperando ouvir o apito. Nunca rouba nada (chiclete conta?), mas fica pensando naquelas armações de novela das oito. Alguém poderia incriminá-la ou pregar-lhe uma peça. Pi-pi-pi-pi. Não dessa vez.

Enfim, quase no estacionamento, mais uns vinte metros e ela estaria fora do shopping sem gastar mais nada além da comida. No entanto, não teve como seguir em frente, estava incrédula. Voltou para analisar e tentar solucionar este enigma. “Que diabos uma galinha de borracha está fazendo pendurada de ponta cabeça na gaiola do Yorkshire?”. In-cré-du-la. E ela tinha umbigo! Será que o governo exige agora que todos os petshops promovam a socialização entre animais que vivem em habitats diferentes? So-ci-a-li-zar. Boa hipótese, porque também havia uma variação da genial idéia. Ao lado do au-au, dois gatitos curtiam a sombra de um coqueiro de pelúcia. Vai que eles são adotados por gente que gosta de praia. Faz todo sentido a prévia adaptação. Sol-e-mar.
Na saída do estacionamento deu tchau pra máquina que engole os cartões e chegou em casa feliz por não ter xingado ninguém no trânsito (não alto, pra não magoar ninguém), mas sabe que ainda tem que melhorar, as pessoas também não gostam de caretas. Não