Translate

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

a mesma língua

-1 Puxa, esse garoto me irrita profundamente. Acho que peguei birra dele.
-2 Né..!
-2 As pessoas em geral estão te irritando ultimamente. Relaxa!
-1 Né?
-1 Você ainda é meu amigo.

Dona Maria vai ao shopping

Nem se lembrava mais da última vez. Comer sozinha, olhar vitrines sozinha, fazer caretas sozinha, não dividir comentários. So-zi-nha. A comida veio antes, um gostoso e saudável Big Mac, com batatas fritas e Coca zero. Porque não dá pra fazer nada com o estômago vazio. Na-da. Sentiu saudadezinhas por um momento do garoto que transforma batatas em dentes, mas decidiu focar em si. Fo-ca-da.

Resolveu entrar, muito calma, na loja de departamento. Prometeu nem tocar na bolsa, muito menos na carteira. Experimentou cinco peças e viu que não, elas não ficaram nada parecidas com o que ela imaginou. Pensou que essas coisas acontecem demais com ela. Roupas, acessórios, quilos, tudo fica tão diferente no espelho. Cal-ma. O pensamento foi terrivelmente interrompido por uma mãe gritando Tifâniiii. Anotação mental, nunca chamar outro ser humano de Tifani, ou Tifany, ou Tyffannyy.Mães.

Mais a frente desviou bruscamente (demais na verdade) de um corredor que trazia uma amiga antiga e a mãe. Não podia perder o rumo. O momento era só dela. E também não estava com saco de ficar sorrindo. Sorria!
No novo rumo viu “A loja”, a malvada que a faz comprar muitas peças e usar o crediário. Será que tem coleção nova? Será, será, será? Não tinha, mas mesmo assim ela foi experimentar uma blusinha. Oh! Descobriu que não tinha raspado as axilas, que vergonha. A idéia de alguém ter visto a fez corar. Não, estou de agasalho. Ufa! . A-xi-las. Já na grande porta de vidro, pensou que toda vez que passa por aqueles detectores de ladras (ões) fica esperando ouvir o apito. Nunca rouba nada (chiclete conta?), mas fica pensando naquelas armações de novela das oito. Alguém poderia incriminá-la ou pregar-lhe uma peça. Pi-pi-pi-pi. Não dessa vez.

Enfim, quase no estacionamento, mais uns vinte metros e ela estaria fora do shopping sem gastar mais nada além da comida. No entanto, não teve como seguir em frente, estava incrédula. Voltou para analisar e tentar solucionar este enigma. “Que diabos uma galinha de borracha está fazendo pendurada de ponta cabeça na gaiola do Yorkshire?”. In-cré-du-la. E ela tinha umbigo! Será que o governo exige agora que todos os petshops promovam a socialização entre animais que vivem em habitats diferentes? So-ci-a-li-zar. Boa hipótese, porque também havia uma variação da genial idéia. Ao lado do au-au, dois gatitos curtiam a sombra de um coqueiro de pelúcia. Vai que eles são adotados por gente que gosta de praia. Faz todo sentido a prévia adaptação. Sol-e-mar.
Na saída do estacionamento deu tchau pra máquina que engole os cartões e chegou em casa feliz por não ter xingado ninguém no trânsito (não alto, pra não magoar ninguém), mas sabe que ainda tem que melhorar, as pessoas também não gostam de caretas. Não